DIN SPEC 91489

A Manta SLD foi ensaiada conforme a DIN SPEC 91489:2024-11, com laudo SGS nº SDFTS25000559R01. Esta página resume o que a norma exige e como é o ensaio de resistência ao calor.

1. O que é a DIN SPEC 91489

É uma especificação técnica publicada pelo DIN, o instituto alemão de normalização, na edição de novembro de 2024. Ela define os requisitos para mantas de limitação de incêndio usadas em veículos elétricos (em inglês, fire limitation blankets).

Uma DIN SPEC é elaborada por um consórcio de especialistas e não faz parte do conjunto de normas DIN propriamente ditas. Segundo o próprio documento, na época de sua publicação não havia nenhuma norma alemã sobre o assunto.

2. Quem criou a norma

O documento nasceu do projeto ELSTA, financiado pelo Ministério Federal de Economia e Proteção do Clima da Alemanha (BMWK). Participaram do consórcio, entre outros:

  • a montadora Opel, que liderou o grupo;
  • a GDV, associação das seguradoras alemãs;
  • a área de bombeiros e proteção contra incêndio da DGUV, o seguro social de acidentes da Alemanha;
  • institutos de proteção contra incêndio e de segurança técnica, e o laboratório de ensaios MPA Dresden (grupo Kiwa);
  • fabricantes de produtos de proteção contra incêndio e calor;
  • a associação alemã de empresas de resgate e reboque de veículos (VBA).

3. O que a manta é, e o que ela não é

A manta de limitação de incêndio não é um agente extintor. Ela serve para limitar, no espaço e por tempo determinado, a propagação do fogo, da fumaça e do calor para o entorno do veículo. Isso dá tempo para o corpo de bombeiros agir.

Usos citados pela norma: proteger veículos elétricos já apagados e danificados em acidente, em áreas de quarentena, e isolar veículos críticos em balsas. A norma foi pensada para uso por pessoas instruídas e não se aplica ao uso direto sobre uma bateria de tração removida e aberta.

4. O que a norma exige

Aplicação rápidaitem 5.13

  • O fabricante precisa demonstrar que até duas pessoas cobrem um veículo de no mínimo 4,75 m de comprimento, 1,9 m de largura e 1,5 m de altura em até 30 segundos.
  • A manta começa o teste dentro da embalagem.
  • O teste é feito com o veículo seco e com o veículo molhado, e todo o processo é filmado.

Resistência ao caloritem 6 e Anexo A

  • Dois ensaios de 23 minutos, um com chama direta e outro sem chama direta, seguido de água. Os detalhes estão na seção 5.
  • A manta não pode apresentar furos nem falhas nas costuras.

Reação ao fogoitem 6.4

O material deve ser de baixa inflamabilidade e sem gotejamento de partículas em chamas: no mínimo a classe B-d0, conforme a norma europeia EN 13501-1.

Resistência mecânicaitem 7

  • Corte: nível mínimo A (valor de ensaio de pelo menos 2 N), medido conforme a ISO 13997 em seis corpos de prova. Mantas com proteção aumentada contra corte precisam atingir o nível D (acima de 15 N), e a norma permite obter isso com uma manta de proteção separada, colocada entre o veículo e a manta de incêndio.
  • Alças e manta inteira: uma alça é tensionada e a alça oposta recebe 100 kg por pelo menos 60 segundos. Depois, mais 25 kg caem de pelo menos 0,3 m de altura, chegando a 125 kg, e a carga fica por mais 30 segundos. A manta reprova se abrir um rasgo ou se uma das alças se soltar.
  • Ilhoses, quando existirem, precisam suportar a mesma carga das alças.

Construçãoitens 5.1 a 5.8 e 5.12

  • Formato retangular (o quadrado vale), com uma ou mais camadas de material. Peso informado e tolerância de medidas de no máximo 5%.
  • Alças em pelo menos os quatro cantos, de baixa inflamabilidade e capazes de envolver um cilindro de 0,15 m. As alças do lado de puxar devem ser vermelhas.
  • Marcação do ponto central de cada lado e, se a manta só puder ser usada de um lado, marcação de face superior e inferior.
  • Bordas costuradas protegidas contra desfiamento.
  • A manta deve poder ser enrolada em torno de uma barra de 100 mm sem dano ou deformação que impeça o uso.

Reuso, embalagem e identificação do veículoitens 5.9, 5.10, 5.15 a 5.17

  • O fabricante informa a vida útil. A manta deve poder ser reutilizada, desde que não tenha sido exposta ao fogo, não esteja danificada e não esteja contaminada, ou que possa ser limpa conforme as instruções.
  • Vai guardada em embalagem com proteção mínima IP65, que acompanha a manta e permite guardá-la de novo à mão depois do uso.
  • Acompanha um bolso transparente e impermeável, para uma folha A4 dobrada, que permite identificar o veículo coberto sem remover a manta.

Química, materiais e rádioitens 10, 5.14 e 5.11

  • A manta deve continuar funcionando em contato com óleos, graxas, gasolina, água com aditivos de extinção e ácido de bateria.
  • Sempre que possível, devem ser usados materiais livres de PFAS.
  • Deve estar indicado na manta se ela deixa passar sinais de rádio (por exemplo, o eCall do veículo).

Marcação e informações ao usuárioitens 11 e 12

  • Marcação permanente e visível em cada manta: fabricante ou distribuidor, número da DIN SPEC e ano, mês e ano de fabricação, modelo, tipo e lote.
  • Na embalagem: designação em português e em inglês, em letras maiúsculas com bom contraste, símbolo gráfico de pelo menos 0,1 m e pictogramas que expliquem o uso.
  • Manual do fabricante com material e camadas, medidas e peso, reuso, limpeza e descarte, vida útil, temperatura ambiente de uso, instruções de dobra e nível de proteção contra corte, além dos avisos descritos na seção 6.

5. O ensaio térmico em detalhe

É o ensaio que simula o comportamento de um incêndio em veículo elétrico: a queima do veículo, a reignição de células da bateria e a ação de extinção dos bombeiros.

02004006008001.0001.2000510152025 1.000 ± 50 °C 700 ± 50 °C Tempo (min) Temperatura (°C)
Curva de temperatura do ensaio térmico: rampa de 10 minutos até 1.000 °C e, depois, ciclos entre 700 °C e 1.000 °C até completar 23 minutos. Gráfico elaborado pela SLD a partir dos valores da Tabela A.1 da norma.
Ver os valores de temperatura
Tempo (min)Temperatura (°C)
020 ± 5
10 a 10,51.000 ± 50
12 a 13700 ± 50
14 a 151.000 ± 50
16 a 17700 ± 50
18 a 191.000 ± 50
20 a 21700 ± 50
22 a 231.000 ± 50
  • Montagem: uma estrutura cúbica de 500 mm de lado, com chapa metálica de 0,7 mm e abertura de pelo menos 0,35 m. Um queimador a propano (tipo Sievert 2944, ou similar) fica a 0,2 m da superfície. Três termopares medem as temperaturas.
  • Corpos de prova: duas amostras de 1,0 m por 2,5 m cortadas da manta, com a costura no meio quando houver. Antes do ensaio, ficam pelo menos 24 horas a 20 ± 10 °C e 60 ± 10% de umidade.
  • Ensaio com chama direta: o queimador segue a curva acima por 23 minutos. A manta passa se não houver furos nem falhas nas costuras no final.
  • Ensaio sem chama direta, com água: a chama aquece uma chapa metálica sob a manta, sem contato direto com ela, seguindo a mesma curva. Aos 23 minutos, 250 ml de água a 20 ± 5 °C são jogados por cima. Ela passa se nenhuma chama sair pelo lado de fora por mais de 5 segundos e se não houver furos nem falhas nas costuras.
  • Registro: o ensaio é registrado em vídeo ou fotos com data e hora, e o laboratório emite relatório e parecer técnico.

Segundo a norma, as temperaturas foram escolhidas a partir de valores medidos conhecidos na literatura e também cobrem situações em que o oxigênio não é totalmente excluído, como um veículo parado sobre um bueiro, ou em que há um veículo crítico ao lado.

6. Limites e cuidados de uso

A norma obriga o fabricante a informar estes limites. Por isso, eles estão aqui.

  • Eletricidade estática: puxar a manta sobre o veículo pode gerar eletricidade estática. No pior caso, em um princípio de incêndio com fumaça e ainda sem chamas visíveis, uma descarga pode inflamar os gases de combustão, que são inflamáveis.
  • Sem proteção contra choque elétrico.
  • Sem proteção adicional contra estouro da bateria.
  • Fumaça: a manta reduz a passagem, mas não impede totalmente.
  • Uso por pessoas instruídas.
  • Tamanho: a manta deve cobrir o veículo inteiro e ainda ficar apoiada no chão por pelo menos 0,5 m em todos os lados. Tampas de bueiro, ralos e grelhas no chão podem afetar o resultado.
  • Fixação: se necessário, a manta deve ser fixada durante o uso, e podem ocorrer picos de pressão.
  • Bombeiros: evitar jato de neblina direto sobre a manta.
  • Reignição: a bateria pode reacender depois de aparentemente apagada. É preciso monitorar a temperatura.
  • Depois do fogo: a manta que foi exposta ao fogo deve ser descartada de forma adequada.
  • Inspeção: inspeção visual periódica; recomenda-se uma vez por ano quando a manta não está em uso.

7. O relatório de ensaio

A norma define o que o relatório de cada manta ensaiada deve conter: modelo, referência à norma e à data de emissão, peso e medidas medidos, resultado do teste de aplicação, resultados e curvas de temperatura do ensaio térmico, resultados dos ensaios mecânicos, parecer técnico, desvios, data do ensaio, declarações do fabricante para ensaios não feitos em laboratório e nome e endereço de quem emitiu o parecer.

No caso da Manta SLD, o laudo é o da SGS, nº SDFTS25000559R01. Ele pode ser solicitado pelo contato.

8. Leia a norma completa

O texto integral é protegido por direitos autorais do DIN, e por isso esta página traz apenas um resumo em linguagem simples. A DIN SPEC 91489:2024-11 está disponível gratuitamente, em alemão e inglês, na loja do DIN Media.

Documentos citados pela norma: DIN EN 13501-1 (classificação de reação ao fogo), DIN EN 60529 (grau de proteção IP), DIN EN ISO 13997 (resistência ao corte), DIN EN ISO 13934-1 (tração de tecidos), além de DIN EN 1869, DIN EN 16034, ISO 6469-3 e FMVSS 302.

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